Translate

Translate

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Alqueva 400 kms



Brevet Randonneur Mondial

Alqueva  400 kms

25 Maio 2013

25 h 40m a pedalar


 Não sei por onde começar, mas sair para a estrada a pedalar á meia-noite em ponto de luzes acesas colete refletor, capacete todo artilhado como quem vai ali e vem já, no meu caso 25h 40m depois não lembra a ninguém. Pois é mas se acrescentar que eram cerca de trinta e tal malucos em fila indiana a sair de V.F. Xira em direção a Pegões para fazer só 400 kms  parece que há por aí pessoal bater mal, mas não este pessoal sabe o que quer e tem muito juízo é coisa de randonneurs.


Eu sai no meu ritmo se bem que chamar ritmo a quem acaba por afinal quase não pedalar por falta de tempo, outras por falta de vontade devem de estar a imaginar. Lá fui ora sozinho ora acompanhado até perto de Pegões, altura que deixei de ver o pessoal que se foi afastando até desaparecerem. A noite até estava agradável e com um luar de Lua Cheia que quase não era preciso luzes.


Para trás ficou Pegões, Montemor o Novo á saída abasteci água numa fonte na estrada (sabia que era a única hipótese de abastecimento áquela hora estava tudo fechado, no entanto não encontro as carteiras de pó para misturar na água devo ter esquecido) para  Évora que ficou também para trás, o dia começou a nascer na estrada já perto de Reguengos de Monsaraz.
 
 
Por aqui dá para ver como este Alentejo tem afinal água e mais água, esperemos que seja bem usada nos tempos vindouros e  em Mourão já  na bomba de gasolina eu a chegar e dois colegas a partir, faço o controle regista-se a hora de passagem, tomo um pequeno almoço e sigo viagem.

Pelo caminho faço a subida de calçada em Póvoa de S. Miguel com direito a acompanhamento e ladrar de cão. Não sei se é a subida que é difícil ou se as pernas e o cansaço dão sinal de atividade, mas realmente os kilómetros têm metros intermináveis por esta altura e estou a pedalar a menos de 12km/h, isto está a ficar doloroso, de tal maneira que começo a ponderar deixar a bicicleta em Moura, voltar para VFXira e depois apanhar a bicicleta noutro dia. A certa altura era impossível pedalar, parei saio da bicicleta e os músculos das pernas era um formigueiro de dor que mal me continha de pé, baixar quase impossível  tento fazer alongamentos, agacho-me levo uma eternidade para lá chegar equilibrado na bicicleta, quando me levanto sinto calores, suor frio e tento controlar o corpo para não cair isto está mesmo mal. Recupero como mais uma sandes e encontro as carteiras do pó para misturar na água, bebo bastante e está tomada a decisão tentar chegar a Moura e desistir.
 

Retomo a estrada  calmamente sem mais nada senão chegar a Moura, entretanto passa por mim um ciclista  no seu treino  e diz-me com ar animador - bora siga não desista.
Fico a pensar será que este tipo sabe o que o que estou a passar?. Comecei a descer a descer e placa a dizer Moura  uf  estou safo, mas era preciso subir para lá chegar. Começo a subir e penso que isto vai doer até lá cima ai vai vai, mas não doeu nada as pernas estavam sem dores mas o que é isto.


Lá estava a Filomena  á espera faço o controle mesmo num barzinho sento-me alimento-me abasteço de água e espero um pouco enquanto conto as aventuras. Imagino que seria perto do meio dia  ou quase já estavam percorridos 200 km, começo a convencer-me que vou continuar mas se aparecerem sinais de novo, acabou fica para a próxima. Eu a sair a Angela a chegar mas estava com receio de esperar por ela e depois ficar para trás  preferi ir ao meu passo não quero forçar.

Atravesso a barragem do Alqueva, aquilo é mesmo grande e é água por todos os lados, apanho calor e subidas até Portel. Agora não são as pernas é a fadiga geral estou roto e sonolento. Paro nos bombeiros dirijo-me ao bar como qualquer coisa, mas  tenho uma vontade enorme de adormecer meto a cabeça debaixo de água as pernas também, sigo caminho mas o cansaço não me deixa pedalar muito nem manter um ritmo certo o vento não ajuda, já estou em Ferreira do Alentejo com o sol a queimar forte. No controle para descansar beber água gelado sei lá, sou informado que a Angela está a dormir no carro e que está quase a acordar, espero por ela como desculpa para descansar mais um pouco mas o sono é muito.

são talvez 4h da tarde ou mais e saímos em direção a Montemor o Novo, apanhamos algum vento pedalamos comemos uma bifana e coca cola algures acho  que era Santiago do Escoural e subimos bem  até  Montemor o Novo em direção a Pegões. O sol já se escondeu as luzes já vão ligadas e em Vendas Novas comemos uma sopa abastecemos água seguimos caminho. Há muito que eu já vinha em "piloto automático" ou seja focado em terminar, antes da reta do cabo já nos últimos kms deixo a Angela adiantar-se pois estava sem forças. Fiquei sozinho no meu passo, de repente a meio na reta a Angela a pé com a bicicleta á mão, agora era ela com dores nos braços. Não me fui embora acompanhei-a na caminhada, não a ia deixar ali sozinha naquele escuro pelo menos até á ponte onde a iluminação era boa e depois era bem mais fácil para ela.
Dou por mim a fazer a ultima subida  na bicicleta são agora 1h e 40m, acabo de chegar ao ultimo controle na entrada do parque em VFXira,  25h e 40 m depois de ter saído daqui no dia anterior á meia noite, e para satisfação dos volutários presentes dos randonneurs, pois só faltava eu e a Angela terminar. Incapaz de manter uma conversa despeço-me dos voluntários, aviso que a Angela vem a pé mas já está a atravessar a ponte e que chega antes do controle fechar o que os deixou mais descansados e sorridentes pois só eu e a Angela ainda não tínhamos chegado. Eu estava totalmente desfeito, só queria tomar um banho quente e dormir até o corpo querer assim o fiz.

Até á próxima  a gente vê-se por aí, até lá
Façam o favor de ser felizes





1 comentário:

Pedro Mendonca disse...

toda a aventura traz um preço que depois de liquidado transforma-se numa éspecie de glória. bom texto my friend. essa já está no historial e ninguém te a pode tirar. Abraço
P.Massa